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Caravana do Tocantins conhece banco comunitário que transformou bairro pobre de Fortaleza 

13/09/2017 - Sônia Pugas/Governo do Tocantins

Fundado há 20 anos, o Banco Palmas é a primeira experiência  de banco comunitário do Brasil, resultante de um processo de mobilização e organização da comunidade do bairro de Palmeiras, considerado um dos mais pobres de Fortaleza (CE). Com aproximadamente 40 mil habitantes, o setor surgiu da resistência de muitos moradores, socialmente vulneráveis, que não tinham onde morar, mas que encontraram, na coletividade, um motivo para assegurar seus direitos. O Banco Palmas é resultado desse esforço e persistência dos moradores, e foi fundado pelos empreendedores sociais Joaquim Melo e Jaqueline Dutra. 

Dentro dessa perspectiva social e de casos de sucesso, os 17 representantes do Tocantins, que estão na Capital cearense para intercâmbio de aprendizagem das ações da Economia Solidária, participaram de uma vasta programação oportunizada pelo Banco Palmas, na manhã desta terça-feira, 13. 

O banco funciona aos moldes das agências tradicionais, com direito a empréstimos financeiros – a juros baixíssimos e moeda própria – que circula no comércio local, pagamentos de boletos, poupança comunitária, entre outros. “Inauguramos o banco com apenas R$ 2 mil. Era o que tínhamos. O valor da época não se comparava à nossa vontade, força, coragem e principalmente em acreditar no nosso sonho, de fazer do bairro Palmeiras o orgulho de todos nós”, disse o fundador, Joaquim Melo, emendando que após os ajustes necessários, as brigas judiciais, os embates com as instituições financeiras, o Banco Palmas hoje é uma realidade, e, entre os 113 existentes no Brasil, a entidade é referência nacional. Vale salientar que, em 2016, a receita do Banco foi de R$ 860 mil.

Expansão

O Banco Palmas foi o pontapé inicial da Economia Solidária no setor Palmeiras, mas, por meio da filosofia de engajamento social e práticas solidárias, a Instituição expandiu seu ramo de atuação, criando projetos em áreas que abrangessem toda a sociedade, desconstruindo o estereótipo de que programas sociais precisam ser para pobres. “Todos nós somos da sociedade, independente de classe social. Todas as pessoas precisam ser ajudadas e contempladas com o esforço coletivo”, pontuou Joaquim Melo. 

Os representantes tocantinenses tiveram a oportunidade de percorrer o Palmeiras e visualizar, na prática, as explicações teóricas. A presença de uma comunidade fortalecida e engajada é perceptível já na entrada da quadra, no canteiro central, onde os moradores transformaram, o que antes era mato e terra, em espaço agradável com flores, bancos recicláveis e ornamentação sustentável. “Ouvindo todas as explicações. Observando tudo isso aqui, já consigo imaginar as adaptações que poderei repassar à minha comunidade e aplicá-las”, afirmou Adelice Siqueira, de Mateiros, acrescentado que esta tem sido a melhor experiência de sua vida. 

Projeto do Banco Solidário

O projeto Elas é também um braço do Banco Solidário. No local, mulheres criaram uma cozinha comunitária e aprenderam técnicas gastronômicas. Consideradas empoderadas, elas já trabalham ofertando serviços de buffet para vários bairro. As histórias de superação de algumas delas podem ser conferidas no livro Receitas de Vida.

“A gente percebe que o Banco Palmas atende a todos, e em todas as áreas. Ele [banco] estimula a participação social por meio de empreendimentos. Trabalha com um olhar diferenciado, com uma visão de que todos estão juntos, como por exemplo, o projeto de música que traz os jovens para o processo de construção da cidadania”, observou a secretária de Estado do Trabalho e Assistência Social (Setas), Patrícia do Amaral. 

Visitas

As trocas de experiências desta manhã abrangeram ainda visitas ao projeto Bate-Palmas, que atende 50 crianças e adolescentes com atividades musicais; visita à associação de moradores, que tem uma forte participação da comunidade; o Labpalmas, destinado à inserção social dos moradores e também uma marcenaria de pneus recicláveis, onde os moradores depositam produtos que iriam para o lixo, mas que nas mãos deles são transformados em ornamentação para o Palmeiras. 

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