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Dia do Artesão homenageia a arte e a criatividade presentes no ofício

20/03/2017 - Marina Bitar/Governo do Tocantins

No dia 19 de março é comemorado o Dia do Artesão, ofício que demanda criatividade para transformar matérias-primas comuns em arte, além da criação, pelas mãos habilidosas, de peças únicas. Desde 2015, a profissão está regulamentada por meio da Lei nº 13.180, valorizando o trabalho desenvolvido pelos artesãos e ressaltando a importância deste segmento para a economia e a cultura do país. Atualmente, são cerca de 10 milhões de brasileiros sobrevivendo do artesanato, segundo dados da Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil, . 

No Tocantins, existem 672 profissionais cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab). São das mãos e da criatividade dos artesãos tocantinenses que as mais belas obras de arte ganham forma e despertam a atenção do país e do mundo. Esses artistas produzem artesanato dos mais diversos, utilizando matérias-primas que a natureza oferece: capim dourado, madeira, buriti, babaçu, argila, cristal, jatobá, palha de milho, fibra de coco, palha de bananeira, sementes, couro, ouro, resina, fibras vegetais e mais uma infinidade de materiais que reforçam a identidade das peças criadas no Estado. Os artesãos indígenas do Tocantins também produzem peças imcomparáveis, cada qual de acordo com a cultura do seu povo, reforçando suas culturas, suas tradições e identidades. Exemplo dessa singularidade é o das bonecas Ritxòkò, produzidas pelas mulheres do povo Karajá, e declaradas Patrimônio Cultural Brasileiro, em 2012.

Para o artesão e músico instrumentista do grupo Tambores do Tocantins, Márcio Bello dos Santos, o artesanato faz parte da sua história, pois, além de garantir o seu sustento, proporcionou o aperfeiçoamento da sua capacidade artística, bem como das suas técnicas. Artesão desde menino, aos 12 anos de idade, Márcio Bello aprendeu o ofício por meio da tradição oral, ao desenvolver técnicas aprendidas com seu avô, sua família e amigos. "Trabalho com esculturas, gravuras, pirogravuras, sempre com materiais vindos da natureza, como madeira, pele animal, cerâmica, mas também realizo a produção de instrumentos artesanais, na sua maioria instrumentos típicos da cultura tocantinense, além de instrumentos africanos, que reforçam nossas raízes", explicou o artesão que acabou aliando artesanato e música em seu trabalho.

Segundo a superintendente de Desenvolvimento da Cultura, Noraney de Castro, desde 2016, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura (Seden) está proporcionando a participação de artesãos tocantinenses em eventos nacionais para a exposição dos produtos regionais. "Já levamos dez artesãos para expor suas peças na 27ª Feira Nacional de Artesanato, que ocorreu ano passado em Belo Horizonte e agora, de 29 de março a 2 de abril, vamos levar oito artesãos para divulgarem seus produtos no 9º Salão de Artesanato de Brasília", ressaltou. A superintendente também destaca que a data é de comemoração:"Temos um grande motivo para comemorar o Dia do Artesão, homenagear aqueles que trabalham, que criam e que transformam com as mãos, pois o nosso Estado tem uma variedade de peças típicas, desde o capim dourado até o artesanato indígena, que garantem a geracão de renda para muitas famílias". 

Os artesãos estão presentes nos quatro cantos do Estado, cada um com o seu artesanato característico. São os bonecos feitos da casca do jatobá, na cidade de Ananás; as famosas peças em capim dourado, no Jalapão; o município de Cristalândia, que é conhecido pelos seus cristais lapidados em formatos singulares; e ainda as centenárias filigranas em Natividade; e os trabalhos manuais em couro feitos em Monte do Carmo. A artesã e microempreendedora Durvalina Ribeiro de Souza, nascida no município de Mateiros, no Jalapão, sobrevive do artesanato de capim dourado há 29 anos, sempre mantendo a tradição da região de trançar o capim com a seda do buriti. "No início, eu trançava apenas chapéus, bolsas e cestaria, mas com o passar do tempo, fui desenvolvendo minhas técnicas e criando produtos mais elaborados e diferenciados, como brincos e colares. A partir daí, comecei a receber muitas encomendas e a participar de eventos regionais e nacionais para expor os meus produtos", disse Durvalina. Atualmente, a artesã vende suas peças na Feira do Bosque, em Palmas, e afirma que fazer artesanato em capim dourado é a sua vida: "Eu tenho muito orgulho, pois criei meu filho com a renda do meu trabalho como artesã e muito do que eu tenho hoje foi graças ao artesanato com capim dourado. É uma arte para mim, é a minha profissão, e quando eu sento para trabalhar, para trançar minhas peças, eu trabalho com amor".

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